Pesquisar neste blog

Paróquia

Criação da Paróquia.

Tendo vista a grande extensão territorial e densidade demográfica do município de Parnamirim/RN, e especialmente da área do bairro de emaús e atendendo as sugestões do pároco e seus agentes pastorais e ouvido o Conselhos Episcopal e Presbiteral da Arquidiocese de Natal/RN, o Arcebispo Metropolitano, o reverendíssimo Dom Heitor de Araújo Sales, decretou no dia 03 de outubro de 2003, a desmembração da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima do bairro de emaús.



No dia 10 de novembro de 2003, o Arcebispo Dom Heitor de Araújo Sales, assinou o decreto de criação da nossa paróquia, que passou a ser chamada de Paróquia Beato André de Soveral, na oportunidade o Pe. Valdir Candido de Moraes foi empossado como o primeiro administrador da paróquia.
Na missa de posse e instalação, celebrada por Dom Heitor, onde em sua homilia mencionava que “a criação de uma paróquia deve servir de sinal para o crescimento da fé e o amor na comunidade”.


História do nosso Padoeiro e Protomártires do Brasil.

Em 16 de junho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama, localizado a Zona Agreste do Rio Grande do Norte. Por seguirem a religião católica, tiveram que pagar com a própria vida o preço da fé, por causa da intolerância calvinista dos invasores.

Três meses depois, aconteceu outro martírio, onde 80 pessoas foram mortas por holandeses, entre elas, o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Este morticínio aconteceu na Comunidade Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante – a 18 km de Natal, litoral do RN.

Processo de Beatificação:

Segundo o Postulador da Causa dos Mártires, Mons. Francisco de Assis Pereira, “a memória dos servos de Deus sacrificados em Cunhaú e Uruaçu, em 1645, permaneceu viva na alma do povo potiguar, que os venera como ínclitos defensores da fé católica”. O processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé, no dia 16 de junho de 1989. Em 21 de dezembro de 1998, o Papa João II assinou o Decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.


O Monsenhor Assis acompanhou o processo de beatificação junto ao Vaticano, por mais de dez anos, reunindo documentos em pesquisas realizadas em Portugal, Holanda e no Brasil. Deste material resultou o livro Protomártires do Brasil, de sua autoria, lançado no final de 1999.

Beatificação aconteceu no Vaticano:

A celebração de Beatificação aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, dia 5 de março de 2000, presidida pelo Santo Padre João Paulo II. Cerca de mil brasileiros participaram da celebração. Durante a Santa Missa, João Paulo II pronunciou sua homilia em italiano, português, polonês, francês e inglês. O Papa fez a seguinte reflexão em português: “São estes os sentimentos que invadem nossos corações, ao evocar a significativa lembrança da celebração dos quinhentos anos da evangelização no Brasil, que acontece este ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da igreja foi se afirmando lentamente mediante a ação missionária de várias ordens e congregações religiosas e de sacerdotes do clero diocesano. Os mártires, que hoje são beatificados, saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, do Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro – presbíteros e 28 companheiros leigos pertencem a esta geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração de novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os protomártires do Brasil. Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: ‘Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.


Segundo Postulador da Causa de Beatificação, Mons. Francisco de Assis Pereira, data escolhida pela celebração dos Protomártires será 3 de outubro - data de aniversário do morticínio de Uruaçu. Segundo ele, provavelmente, a CNBB vai pedir à Santa Sé para estender esta festa para todo o Brasil, e não somente para a Arquidiocese de Natal.


O termo Protomártires:

Segundo o Mons. Assis Pereira, os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram chamados de Protomártires do Brasil, pelo Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. “Isto porque são os primeiros que derramaram o sangue pela fé em nossa Pátria, tendo o seu martírio reconhecido oficialmente pela Igreja”, disse o Monsenhor. Ele foi nomeado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – como responsável pela organização do Martirológio da Igreja no Brasil.

Monumento lembra os Protomártires:

Em Uruaçu, local onde outros mártires tiveram suas vidas barbaramente ceifadas, no município de São Gonçalo do Amarante, foi construído um monumento para grandes celebrações e romarias, em parceria com o Governo do Estado. A inauguração ocorreu 2 de dezembro de 2000, com a presença do Governador do Estado, Garibaldi Alves Filho; do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales; do Arcebispo de Natal, Dom Heitor de Araújo Sales; bispos do Regional Nordeste 2; padres e cerca de 12 mil fiéis.

Livros publicados sobre o tema:

Ao longo dos 354 anos que separam a data do morticínio de Cunhaú e Uruaçu e o atual momento histórico do Brasil, historiadores, jornalistas e escritores têm feito referências ao acontecimento. Nos últimos anos, porém, três livros merecem destaque pela profundidade com que tratam o assunto: Protomártires do Brasil, do Postulador da Causa dos Mártires junto ao Vaticano, Monsenhor Francisco de Assis Pereira; Terras de Mártires, da jornalista Auricéia Antunes de Lima, e Mártires de Cunhaú e Uruaçu, do Pe. Eymard L’E. Monteiro.

Fragmentos da História dos Protomártires:

Segundo o Postulador da Causa dos Mártires, Monsenhor Francisco de Assis Pereira, em seu livro Protomártires do Brasil: “Os holandeses chegaram à Capitania do Rio Grande, no dia 08 de dezembro de 1633. Depois da rendição pelos portugueses da Fortaleza dos Reis Magos, que defendia a entrada marítima da Cidade (de Natal) , a prinicipal preocupação dos invasores foi assumir, o quanto antes, os pontos estratégicos que garantiam a economia da região e subsistência da população. A economia do Rio Grande do Norte era ainda bastante primitiva. Viviam os moradores das plantações de milho e mandioca, da pesca e da criaçào de gado. O rebanho do Rio Grande era calculado em 20.000 cabeças de gado. Um viajante holandês assim descreve o modo de viver do povo da capitania ocupada: ‘As pastagens são ali excelentes e os habitantes não têm outra riqueza senão o gado, com o que fazem muito dinheiro; entretanto, a maioria do povo é miserável mal tendo de que viver; pegam ali muito peixe, plantam grande quantidade de mandioca para fazer farinha e também muito milho, o que tudo é trazido aqui para Pernambuco; há igualmente abundância de caça e de frutos silvestres.’ ( Adriaen Verdonck)

Os relatórios oficiais e os cronistas holandeses sublinham a importância de estoque de carne e peixe do Rio Grande para suprir às necessidades de suas tropas, principalmente no período de guerra. Diz o relatório dos Três Altos Conselheiros:


‘Durante as revoltas dos portugueses, quando não podíamos ter acesso ao interior e nada podíamos alcançar deste, foi do Rio Grande que não somente os fortes da Paraíba, como também as outras guarnições, foram mantidos com carne e peixe.’(Relatório dos Três Altos Conselheiros)

O mesmo é dito pelo cronista Nieuhof: ‘Daí vieram os fartos abastecimentos de carne e peixe para as vossas guarnições da Paraíba e outras partes, durante a rebelião dos portugueses.’ Uma outra fonte de renda para o Rio Grande era a lavoura de cana de açúcar. Na capitania do Rio Grande havia apenas dois engenhos: o Potengi e o Cunhaú. O primeiro a ser invadido pelos holandeses foi o Potengi, por estar mais próximo de Natal. O engenho Potengi não representava muito para a economia do Rio Grande. Encravado em terras pouco férteis, já estava quase desativado, de fogo morto, como se costuma dizer. Na época da invasão, pertencia a Francisco Rodrigues Coelho que aí residia com sua família.


Com a chegada dos flamengos a Natal, vários moradores importantes da capitania se refugiaram no engenho, na esperança de que sobreviessem reforços da Paraíba e de Pernambuco. Os holandeses os perseguiram: no dia 14 de dezembro, seis dias após o desembarque em Natal, deixaram a Fortaleza dos Reis Magos em três grandes botes de vela e seguiram , Potengi acima, e depois por terra, até o engenho com a ajuda de tapuias da tribo dos Janduis, mataram Francisco Coelho, sua mulher e seis filhos, e todas as outras pessoas que ali se encontravam, em número de sessenta.


Foi este o primeiro grande morticínio perpetrado, pelos flamengos em solo potiguar. Dada, porém, a ausência de motivação religiosa, esta chacina não apresenta as característica de um verdadeiro martírio de fé.


O engenho Cunhaú, a 80 Km de Natal, construído na sesmaria dada por Jerônimo de Albuquerque, em 02 de maio de 1604, aos seus filhos Antônio e Matias, era o mais importante centro da economia do Rio Grande.


O vale do Cunhaú, onde estava situado o engenho, irrigado pelo rio do mesmo nome, constituía um imenso campo verdejante de canaviais e plantações de milho e mandioca. Toda a colheita de cana de açúcar era moída no engenho que chegou a safrejar, anualmente, de seis a sete mil arroubas de açúcar. O vale possuía também extensas áreas de criação de gado, cuja carne abastecia toda a região.

A produção de açúcar, carne e farinha era exportada para Pernambuco e Paraíba, através do Rio Cunhaú que desemboca no Oceano Atlântico. A Barra do Cunhaú era guarnecida por uma fortificação construída pelo portugueses e tonada pelo flamengos em 1634.


Por tudo isso, Cunhaú se tornou o alvo da ambição e cobiça dos holandeses na sua ânsia de dominar toda a região e controlar a sua economia. Sua posição estratégica, a meio caminho da Paraíba, fez de Cunhaú um palco de lutas sangrentas, vinganças e saques entre portugueses, índios e holandeses.


A primeira invasão de Cunhaú pelos holandeses ocorreu em 1634. O engenho que, então, pertencia a Antônio de Albuquerque Maranhão, foi confiscado e vendido ao sargento-mor Joris Gartsman e ao conselheiro político Balthasar Wintges. Posteriormente, estes o venderam a Willem Beck e Hugo Graswinckel. Quando dos acontecimentos que estamos por narrar, o engenho voltara às mãos de um português, Gonçalo de Oliveira, que adquirira por suas ligações de amizade com os holandeses.

O morticínio na Capela de Cunhaú:

Passadas as turbulências que caracterizaram o início da ocupação, a vida do engenho parecia ter voltado à normalidade. Ao redor da Capela de Nossa Senhora das Candeias, da casa-grande e do engenho, viviam pacatamente 70 modestos colonos com suas famílias. Inteiramente dedicados aos seus trabalhos na lavoura e na moagem da cana. Nada indicava qualquer alteração neste ritmo. Novas tempestades, porém, já davam sinais no horizonte.


O movimento de insurreição contra o domínio holandês já começara em Pernambuco mas, na longínqua capitania do Rio Grande tudo parecia normal. Bastou, porém, a presença de uma só pessoa para que o clima se tornasse tenso: Jacó Rabe, um alemão a serviço dos holandeses, chegara repentinamente a Cunhaú, no dia 15 de julho de 1645.


Rabe era um personagem por demais conhecido dos moradores de Cunhaú. Freqüentes eram aquelas incursões por aquelas paragens, sempre acomoanhado de seus amigos e liderados, os ferozes tapuias, semeando por toda parte ódio e destruição. A simples presença de Rabe e dos tapuias já constituía motivo suficiente para suspeitas e temores.


Além dos tapuias, Jacó Rabe trazia, desta vez, consigo alguns potiguares com o chefe Jererera e soldados holandeses, uma vez que se apresentava em missão oficial, dizendo-se portador de uma mensagem do Supremo Conselho Holandês, do Recife aos moradores de Cunhaú.


No dia seguinte, 16 de julho, um Domingo, aproveitando a presença de um grande número de colonos na igreja, para a missa dominical celebrada pelo Pároco Pe. André de Soveral, Jacó Rabe mandara afixar nas portas da igreja um edital, convocando a todos para ouvirem as Ordens do Supremo Conselho, que seriam dadas após a missa.


Muitos compareceram, mas uma chuva torrencial, providencialmente caída naquela manhã, impediu que o número fosse maior. (...)


Como havia um certo receio pela presença de Jacó Rabe alguns preferiram ficar esperando na casa de engenho.


Chegou a hora da missa. Os fiéis, em grupos de familiares ou de amigos, se dirigiram à igrejinha de Nossa Senhora das Candeias. Levados apenas pelo preceito de cumprir o preceito religioso, evidentemente não portavam armas, proibidas pelas autoridades holandesas, mas só alguns bastões que encostaram nas paredes do pórtico.


O Pe. André inicia a celebração. Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor, para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da Igreja e se deu início à terrível carnificina.


Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelo flamengos com a ajuda dos tapuias e potiguares. Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, ‘entre mortais ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo Senhor Nosso, pedindo-lhe cada qual, com grande contrição perdão de suas culpas”, enquanto o Pe. André estava ‘exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia”


O morticínio em Uruaçu:

As notícias dos graves e dolorosos acontecimentos de Cunhaú se espalharam rapidamente por toda a capitania do Rio Grande e capitanias vizinhas. A população ficou assustada e temia novos ataques dos tapuias e potiguares, instigados pelos holandeses. Urgia tomar medidas preventivas e defensiva. Mesmo suspeitando conivência das autoridades flamengas nesses ataques, alguns moradores influentes do Rio Grande (...) não tiveram outra alternativa senão recorrer ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos, cujo nome tinha sido mudado para Forte Ceulen, para ficarem lá sob proteção militar, não sabendo estes que a hospitaliadde terminaria em tragédia.(...)


A etapa seguinte da fatídica viagem de Jacó Rabe foi Potengi, onde os 70 moradores estavam refugiados na cerca de pau-a-pique. Acreditava ele se tratar de uma tarefa fácil pois os moradores não tinham como resistir por longo tempo e logo se entregariam. Eles, porém, resistiram heroicamente com as poucas armas à sua disposição: 17 armas de fogo, algumas espingardas, dardos, mosquetes, espadas, zagunchos e paus tostados. (...)


Foi quando o irritado Rabe mandou vir do Forte Ceulen o reforço de duas peças de artilharia, Não havia mais como resistir; os bavos moradores se renderam.(...)


Chegando ao lugar ‘que para a navegação era porto e para o martírio teatro (...) Os índios já tinham sido avisados e lá estava o chefe potiguar Antônio Paraopaba com os seus comandados. (...)


Numa atitude ameaçadora e arrogante, Paraopaba ‘escaramuçando num cavalo’, estava à frente de um pelotão de mais de duzentos índios, bem armados, pertencentes aos dois grupos principais de índios da região: potiguares e tapuias.


Logo que desceram dos batéis, os flamengos ordenaram aos doze moradores vindos da Fortaleza, que se despissem e se ajoelhassem. A um sinal dado por eles, os índios, que estavam emboscados, saíram dos matos e cercaram os indefesos colonos (...).


Teve início, então, a terrível carnificina, descrita com impressionante realismo e fortes tintas pelos cronistas portugueses. Nas descrições se nata claramente o contraste entre a crueldade e a violência dos algozes, e a paciência, a resignação e o perdão das vítimas:


‘Começaram...a dar tão atrozes tormentos aos homens, e tão desumanos, que já muitos dos que padeciam, tomavam por mercê a morte; mas usaram os holandeses da última crueldade, dilatando a pena, e depois de cansados de darem tão aspérrimos tormentos aos homens, os entregaram ao tapuias e potiguares, que ainda vivos os foram fazendo em pedaços, e nos corpos fizeram tais anatomias que são incríveis; arrancando a uns os olhos e tirando a outros as línguas e cortando as partes verendas e metendo-lhas nas bocas (...)’ (Santiago)


Mateus Moreira é citado pelos três cronistas, embora com uma divergência de nome, Mateus ou Matias. A descrição de sua morte é o ponto mais expressivo de toda a narrativa de Uruaçu e constitui um dos mais belos testemunhos de fé na Eucaristia, confessada na hora do martírio. Os algozes arrancaram-lhe o coração pelas costas, e ele morreu exclamando: ‘Louvado Seja o Santíssimo Sacramento.”

Patrocinadores